Viajar Sem o Bebé Pela 1ª Vez

sexta-feira, 25 de maio de 2018
No início deste mês deixei a Carminho pela primeira vez durante 5 dias porque tive de viajar em trabalho. Assim que surgiu a oportunidade confesso que aceitei de imediato, porque queria muito ir, mas depois é um sentimento agridoce porque percebemos que vamos deixar para trás uma parte de nós. Sim, porque depois de tantos meses (no meu caso foram 8) seguidos em que o bebé está presente praticamente 24 horas por dia, acaba por se tornar um pedaço de nós.


Nos dias anteriores andei muito ansiosa, tinha de planear toda a estadia dela (ficou em casa do meu pai) e já estava a sofrer de saudades por antecipação. Falei convosco pelo instagram e a maioria de vocês disse-me “nunca tive coragem”, o que ainda me deixou mais ansiosa! Confesso que quem me deu força naquele momento foram as minhas amigas. Lembro-me de ouvir “vai-te custar muito, e ela também vai sentir a tua falta, mas faz-vos bem cortar esse cordão umbilical” e “vai-te custar muito mais a ti, ela ainda não tem noção do espaço temporal, e quando chegares a vires que ela está ótima, vai-te apetecer voltar para os Açores!” e “aproveita porque és uma super mãe e também precisas de fazer coisas por ti”. Agarrei-me muito a isso (e percebi mais tarde que elas tinham razão).

Os preparativos para a viagem foram cansativos. Para além de ter de pensar na minha mala, tinha de pensar o que a Carminho ia precisar durante 5 dias. E quem é mãe sabe, é só tralha!! Desde tudo o que tem a ver com alimentação, porque um bebé de 8 meses só pode comer coisas específicas (toca a fazer sopa), a tudo o que envolve a higiene (produtos, banheira, toalha de banho, etc etc), até conjuntos de roupa para ser mais fácil para quem fica com eles vesti-los de manhã, sem esquecer um saco com brinquedos... É mesmo muita coisa! Mas consegui. Etapa superada!

O primeiro dia custou imenso, não vou mentir. Não podia ter momentos mortos no meu dia porque senão começava a chorar. Quando ainda não era mãe, pensava “meu Deus, que dramáticas!”. Mas agora percebo. Tentei não parar um segundo, levei um livro para as viagens e fiz de tudo para me distrair. Eu, que adorava ter os meus bocadinhos do dia sozinha para estar comigo mesma, deixei de gostar. Já me habituei à companhia, ao barulho, à agitação que é ter um bebé. O segundo dia foi um bocadinho melhor, e eu tinha muito com que me distrair por isso ajudou imenso. Estava num sítio incrível e com um grupo grande de pessoas super animadas, com um programa pensado ao pormenor e feito para aproveitar todos os momentos ao máximo. Podem ler mais sobre a viagem aqui.

Ao terceiro dia já estava bem. Consegui começar a aproveitar e desfrutar realmente daquelas “férias”. Confesso que acordar e poder arranjar-me e tomar um bom pequeno almoço em sossego me começou a agradar bastante. E nos últimos dois dias já estava completamente relaxada e a pensar que ia ter saudades dos Açores e daquela vida pura. Falava com a Carminho todos os dias pelo Facetime e a minha família passava o dia a enviar fotografias e ela estava tão bem, que eu fiquei completamente descansada. 

Quando cheguei estava ansiosa para ver a reação dela, tinha medo que estivesse amuada. Mas não, acho que ainda é pequena para isso. Ficou a olhar para mim uns segundos tipo “Estás cá? Já não te via há algum tempo”. E depois voltou tudo ao normal, como se nunca tivesse ido embora. E sim, passados 2 dias já estava a ansiar pela próxima escapadinha!!

Conclusão: foi tão, mas tão bom, e fez-nos tão bem às duas, que fiquei super feliz por esta oportunidade e aprendi a relaxar. Este post é muito com o intuito de vos dar (a vocês mães e grávidas) muita força para não deixarem a vossa vida completamente anulada por causa de um filho. Sim, temos de fazer sacrifícios, mas com peso e medida. Se tiverem com quem os deixar, deixem. Até é uma boa oportunidade de eles criarem laços mais profundos com avós, tios, padrinhos ou amigos. Vai custar (muito) no início (principalmente a vocês), mas somos um ser de hábitos e rapidamente nos habituamos a algo diferente. E eles estarão cá à nossa espera quando voltarmos, mais ou menos amuados, mas muito bem cuidados e mais autónomos.
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