Parentalidade Nórdica

terça-feira, 25 de setembro de 2018
Eu devoro tudo o que tem a ver com maternidade. Blogues, sites, livros, formações... Acho que devemos ser pais informados, para conseguirmos dar o melhor aos nossos filhos e também facilitar a nossa vida. É certo que temos um instinto e o bom senso que nos ajudam nesta tarefa de educar, mas a informação também é essencial. O post de hoje é sobre o último livro que li, que me foi recomendado e que adorei - Parentalidade Nórdica, da Sofie Munster, encomendado online da Jacarandá Editora. O livro explica um conceito aplicado nos países nórdicos - o auto-controlo - que ajuda as crianças a serem adultos mais bem sucedidos. Curiosos?


Começo pelo início. O que é o auto-controlo? Muito resumidamente, é a capacidade de controlar o nosso instinto e escolher o caminho mais difícil (mas que nos vai ajudar para o futuro) em vez do caminho mais fácil. Lidamos com situações destas todos os dias, e muitas vezes sabemos que devemos optar por um caminho, mas o nosso instinto faz-nos optar pelo mais simples, mais fácil e mais confortável. E nós não temos força de vontade ou espírito de sacrifíco suficiente para o contrariar. O livro gira em torno deste conceito e de que como o incutir aos nossos filhos. Sim, porque estas coisas têm de ser estimuladas em criança, para que sejam naturais na idade adulta. Ter auto-controlo é essencial para ser bem-sucedido.

Para perceberem melhor, dou-vos um exemplo. O vosso filho chega da escola triste porque tirou má nota a matemática. Nós, enquanto pais, das duas uma: ou nos irritamos com eles e fazemos com que se sintam pior; ou passamos a mão pela cabeça e dizemos o que devem fazer da próxima vez para serem mais bem sucedidos. Mas segundo esta teoria de educação, estas atitudes não são as melhores para eles, embora achemos que sim. O que devemos fazer é tentar guiar o seu raciocínio para que pensem pela própria cabeça e percebam o que devem fazer da próxima vez. Assim, vão aprender a resolver as situações sozinhos, a ultrapassar obstáculos, a perceber o que devem fazer da próxima vez para serem melhores. E como fazemos isto? Com perguntas. Por exemplo "porque achas que tiveste má nota?", "achas que estudaste pouco?", "o que achas que podes fazer melhor da próxima vez?". No fundo, vamos tentar que a criança perceba sozinha que da próxima vez vai ter de optar por treinar mais vezes os exercícios de matemática em vez de ir jogar playstation ou ir brincar com os amigos. E quando o fizer e tiver melhor nota, vai ficar motivado para o fazer novamente, e assim vai desenvolvendo o seu auto-controlo. No futuro, vai ser uma pessoa com muito mais espírito de sacrifício, perseverança e outras características essenciais para ser bem sucedido.

O livro é giro porque depois da teoria tem sempre situações práticas e exemplos para explicar melhor como aplicar este conceito, que pode parecer simples na teoria mas que é bastante complicado na prática. E como este exemplo existem muitos outros, de situações típicas do dia-a-dia, e que é muito engraçado perceber como devemos agir, quando o nosso instinto nos trama. Temos tendência para ir atrás dos nossos filhos a empurrá-los, ou à frente a guiá-los, mas devemos ir ao seu lado, de mãos dadas, acompanhando-os mas deixando-os pensar pela própria cabeça. Porque nós não estaremos sempre lá para resolver os seus problemas e eles têm de apresentar a fazê-lo sozinhos.

Um livro giríssimo, que recomendo vivamente! Vejam aqui.

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